Category Archives: literatura

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O Oduji

O Oduji

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Abriu a pequena caixa. Lá estava ele, encolhido, numa posição fetal, a pele rosa e translúcida mostrando órgãos pulsando suavemente, uma peristalse quase imperceptível. Seus olhos estavam fechados, ele ainda estava sob efeito de tranquilizantes. Finas veias cobriam suas pálpebras semitransparentes, que cobriam gigantescos olhos negros. Ele respirava tranquilamente e moveu a cabeça na direção dela, sonolento. Ela fechou a caixa, suas mãos tremiam, suor brotava frio na sua palma ao perceber que não tinha mais como desistir. Era um contrabando que atravessou oito sistemas estelares até chegar em suas mãos. Pegou o trem central, rumo a uma clínica de modificação clandestina e fez o implante.

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Os Lumnos

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Stephens se foi há quatro dias. Diante das circunstâncias, isso foi fortuito. Artan sabia, mas não queria admitir. As reservas durariam mais assim. Conferiu as baterias de salto da nave. Ainda estavam nos níveis mínimos, e Artan já havia feito os cálculos. As baterias demorariam cerca de um mês para repor energia suficiente para um salto. Havia água suficiente, e, agora com Stephens morto, comida e oxigênio. Mas ele não duraria mais um dia. Se ele não tivesse se desesperado, talvez a nave pudesse saltar a tempo de levá-los para um sistema habitado, onde poderiam ter cuidados médicos. Mas quando Stephens começou a tossir sangue, ele usou boa parte da energia para enviar uma mensagem de socorro pelo ansível, na esperança de alguém na ultrópole recebê-la e investigar.

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O Clovadth

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Jaime estava com uma vontade, mas não sabia do que era. Inicialmente achava que era o cigarro. Queria fumar, mas não. Já fazia algum tempo que não sentia mais vontade de fumar. Os remédios faziam isso, ouviu um enfermeiro comentar certa vez. Começou a catalogar suas vontades para que não se esquecesse de nenhuma, primeiro pela ordem que apareciam na sua cabeça, depois por ordem de intensidade. Tomar um sorvete. Um uniforme que não cheirasse a naftalina. Um carro. Fazer a barba. Ir ao banheiro. Caminhar descalço na grama. Uma bóia. Sair… não. Não devia colocar essa vontade na lista. Mas já começou a pensar nela. E ela era forte. Prendeu a respiração, para que a urgência de inspirar fosse mais forte. Mas aquela vontade era mais forte do que tudo. Do que respirar. Seu maior desejo era sair daquele manicômio.

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